World of Goo
Apesar de durante os últimos anos, uma boa parte dos meus dias serem passados à frente do computador, nunca me deixei tentar demasiado pelo mundo dos jogos. Aliás, acho que até posso dizer que os jogos só tinham piada quando eu ainda não sabia fazer nada de interessante com o PC … Nos últimos anos não tenho jogado nada de especial, a não ser muito ocasionalmente, numa lan party ou outra ocasião extraordinária.
Nos últimos meses tenho sentido necessidade de jogar. Talvez por necessidade de descomprimir, talvez porque têm saído alguns títulos que me agradam, talvez porque tenho uma máquina poderosa demais para (apenas) trabalhar. Ou talvez tenha sido tudo isso junto.
Normalmente, estas “ânsias” passam depressa. Muitas vezes, quando chego a instalar os jogos que queria experimentar, já não tenho vontade ou disponibilidade para o fazer.
Aquilo que eu não contava era com o World of Goo. Foi uma recomendação do Hugo Cardoso e é muito viciante.
O jogo assenta numa filosofia simples, estilo puzzle, onde o utilizador tem de comandar uns pequenos seres em forma de bolas: os goos. Usando as próprias bolas e outros objectos e estruturas que vão aparecendo à medida que se avança no jogo, temos de construir um caminho para as levar a bom porto, ou seja, um tubo que as suga. Conseguindo o número mínimo de goos, passamos o nível.
O jogo é desenvolvido por dois ex-funcionários da Electronic Arts que gastaram as suas economias neste puzzle aditivo e no qual é importante respeitar as leis da física. É aqui que a coisa se pode complicar. O peso, o vento, a flexibilidade, o movimento, entre outros elementos, tem de ser respeitados ou o caminho que estamos a construir pode desmoronar-se. Entre as estruturas mais comuns contam-se torres e pontes. Depois, há espigões, rodas dentadas, pesos que temos de levantar, balões de ar para aliviar o peso … Tudo somado resulta num bom conjunto de variáveis a considerar. Ainda assim, os primeiros níveis são fáceis.
No jogo podem participar vários jogadores que assim colaboram para resolver os níveis mais depressa. Duas cabeças pensam melhor que uma, diz-se.
Os gráficos parecem ter sido desenhados à mão e depois vectorizados e animados. Não, não tem os gráficos mais impressionantes nem um motor topo de gama mas tem um conceito muito forte. Isto mostra sobretudo, que os jogos não precisam ser muito complexos e custar fortunas em desenvolvimento para serem realmente bons e apreciados pelos utilizadores. A banda sonora também é digna de nota. É realmente envolvente. Quando voltamos ao jogo, percebemos logo que já tínhamos saudades daquela música.
O jogo está disponível para Windows, Mac OS e Linux. A disponibilidade para ambientes Linux é uma coisa rara mas, foi precisamente aqui, que os autores conseguiram mais um marco importante na história dos jogos para Linux: no dia em que foi lançada a versão para Linux o record de vendas foi batido em mais de 40%. Infelizmente, estas estatísticas nem sempre tem um reflexo directo na vida “real. Estima-se que a taxa de pirataria do jogo ronde os 90% apesar de só custar 20 dólares, o que é um preço baixo. Isto terá, certamente, influenciado o pedido de falência da empresa Brighter Minds Media, que distribui o jogo. Pessoalmente, acho que é um projecto que dá pena piratear, sobretudo quando vem de uma empresa pequena, com um conceito tão bom e com uma abertura tão invulgar. Um desses sinais de abertura, foi a disponibilização da banda sonora. As 27 músicas podem ser descarregadas gratuitamente, do website de Kyle Gabler, o músico responsável.
Penso que globalmente, o jogo poderia ser mais extenso. Quatro níveis (com várias etapas intermédias) sabem a pouco, sobretudo quando se acaba. A possibilidade de criação de níveis e disponibilização num repositório central, de onde os utilizadores poderiam descarregar e assim estender o jogo, seria muito bem-vinda. Fico à espera dessa notícia ou algo semelhante.
Preciso de alimentar o vício.




